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"Para a esquerda a igualdade é boa até ser inconveniente"

  • Foto do escritor: Marcelo Morais
    Marcelo Morais
  • 11 de out. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 12 de out. de 2019

Em semana pós-eleições, o tema continua muito presente em cima das mesas nos bares junto à Universidade.

Com a semana a chegar ao fim, e com o bom tempo a convidar, são vários os jovens universitários que se reúnem nos bares durante a tarde de sexta-feira. As conversas vão fluindo e, em semana de rescaldo de eleições legislativas, o tema está ainda bastante vivo. Seguimos a tendência, puxamos cadeiras e fazemos companhia a um destes grupos de jovens.


O tema inicial é a extrema-direita em Portugal. O partido CHEGA garantiu a presença de um deputado na Assembleia da República. Este resultado provocou reações de vários géneros mas a maioria aponta este facto como algo negativo. A verdade é que existe uma ideia bastante negativa em torno do conceito de extrema-direita. Será que é a palavra “extrema” que assusta as pessoas? Mas e a extrema-esquerda? E necessário olhar para os dois lados do conceito e perceber a realidade política do país. Lançamos o tema para cima da mesa.


João Correia interrompe a tarefa de servir às mesas para se juntar à conversa. Lamenta a entrada do CHEGA no parlamento mas relembra que a extrema-esquerda já lá está “desde a revolução.” João ajeita-se na cadeira e argumenta: “no nosso país nunca vamos encontrar uma definição de extrema-esquerda igual à que podemos encontrar nos EUA. Portugal é um país de índole socialista. A constituição diz ““Rumo ao socialismo””. É triste. Claro que nunca vamos considerar o PCP um partido de extrema-esquerda porque eles são meramente comunistas. O comunismo é a maior fação de extrema-esquerda. Não seguem o comunismo à risca porque não podem, nunca tiveram opção governativa."


Leandro Conde, disfruta da sua cerveja e do seu cigarro enquanto ouve as palavras do seu colega. Ganha coragem e interrompe lançando para o ar uma questão: “Vamos voltar a ser governados por movimentos extremos, seja de direita ou de esquerda?” João pega na deixa do amigo e responde: “Faz sentido aparecer a extrema-direita em Portugal neste momento porque existe uma ausência de direita. O CHEGA representa essa fação. É claro que para a esquerda, a Iniciativa Liberal é um partido de extrema-direita e o CHEGA é fascista.


Talvez entusiasmado pela presença de dois jovens aspirantes a jornalistas, Leandro assume uma postura semelhante e volta a questionar o amigo perguntando se considera o partido CHEGA fascista. João responde: “Totalmente, o gajo é doente. Ele próprio sabe que aquilo que ele está a dizer é estúpido.”


Rapidamente a conversa continua a evoluir. O tema passa a ser o PAN. Apesar de admitir que é difícil criticar quem defende as causas ambientais, João acha ridículas algumas das propostas do partido já que “não se pode defender um SNS para os animais quando o SNS para as pessoas é defeituoso.” O jovem estudante de Ciência Política, que entretanto se esqueceu completamente que está no seu horário de trabalho, vai mais longe e diz que é injusto achar que o PAN é um partido porque “em 4 anos de legislatura eles têm 90% de abstenção em matéria legislativa.”


As críticas à extrema-direita deram lugar a críticas à esquerda. João Correia aponta um exemplo para explicar o problema. “A deputada do LIVRE é gaga. Toda a gente no parlamento tem o mesmo tempo para falar, mas querem aumentar o tempo para ela porque é gaga. É tudo muito bonito sobre a igualdade até ser inconveniente. A esquerda é isto. A igualdade é a boa até ser inconveniente.”


O dever chama e João é obrigado a abandonar a conversa para voltar ao trabalho. Leandro pede ao amigo mais uma cerveja e começa a falar sobre o tempo. É altura de terminar a conversa.




Marcelo Morais

Rui Guedes




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