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O sonho virou pesadelo

  • Foto do escritor: Marcelo Morais
    Marcelo Morais
  • 8 de nov. de 2019
  • 3 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2019



É o sonho de Vieira. Foi afirmado tantas vezes em público e com tanta confiança que era inevitável que os adeptos não se deixassem levar pelo entusiasmo. A mudança do panorama, a hegemonia no futebol português, a aposta na formação criaram em torno do Benfica uma aura de positivismo muito grande. A longínqua glória europeia continua a colocar o Benfica entre os mais prestigiados clubes do mundo.


Esta é a parte do sonho. Mesmo com várias potencialidades reunidas, a verdade é que as campanhas europeias do Benfica têm sido um pesadelo. Torna-se difícil perceber o início desta "fase". A verdade é que o expoente máximo da glória encarnada na Europa foi já hábe mais de 50 anos. As duas vitórias da então Taça dos Campeões Europeus estão já demasiado distantes para serem recordadas com nitidez. Um clube com a dimensão do Benfica tem a necessidade de triunfar na Europa. Entretanto, os benfiquistas viram o rival da cidade invicta vencer a Liga dos Campeões, há 15 anos atrás e a Liga Europa, há 8 anos.


Os "quases" mais recentes foram as finais da Liga Europa em 2013 e em 2014. Chelsea e Sevilha deitaram por terra o velho sonho europeu, vencendo um Benfica com campanhas fantásticas e, principalmente em 2014, favorito. Falou-se então da velha maldição de Béla Guttmann. Cada ano que passa, é mais um ano de derrota em terreno europeu e a tal maldição torna-se cada vez mais real.


Desde esses dois episódios e da saída de Jorge Jesus, o Benfica não tem estado no seu melhor na Europa. Longe disso. Em 2014/15 ficou em último da fase de grupos. Na época seguinte o balanço foi positivo. As águias conseguiram chegar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, onde foram eliminados pelo Bayern de Munique numa eliminatória bastante equilibrada. De destacar ainda a vitória no Vicente Calderón, casa do Atlético de Madrid onde ninguém conseguia vencer.


Seguiu-se uma época com uma caminhada até aos oitavos. Mais tarde uma histórica campanha em que o Benfica nos 6 jogos da fase de grupo acaba com 6 derrotas. Na época passada o 3ª lugar no grupo atiram os encarnados para a Liga Europa onde acabam por fazer uma campanha que soube a pouco, dado o nível que a equipa mostrava no campeonato português, às ordens de Bruno Lage.


Este ano as expectativas voltaram a ser altas. A aposta na formação entusiasmou os adeptos. O nível exibicional mostrado na segunda metade da época passada era demolidor. Os jovens made in Seixal presentes na equipa eram vários e havia outros tantos prontos a entrar.


A verdade é que nada mudou. Com 4 jogos disputados, o Benfica está em último no grupo G da Liga dos Campeões. Já perdeu contra os 3 adversários do grupo e as possibilidades para seguir em frente na competição são já bastante reduzidas. Começam a ser levantadas questões acerca deste novo planeamento. Será que apostar nos jovens é seguro? A falta de experiência numa competição deste género é um risco que vale a pena correr? Pode ser prematuro, mas os resultados conseguidos até agora não são animadores.


Não é uma tragédia mas este sonho torou-se algo muito desconfortável. O Benfica está a perder força na Europa e parece não encontrar o rumo para reverter a situação. O talento está lá, sem dúvida, mas as jovens pernas dos atletas não têm sido capazes de acompanhar o ritmo da elite europeia e o sonho está cada vez mais distante.


Marcelo Morais

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